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General
Osorio (1808-1879). Manuel Luis Osorio, Marquês
do Herval, foi um dos principais chefes militares
brasileiros do séc. XIX. Sua carreira militar
esteve sempre ligada à política do Império
brasileiro na Bacia do Prata. Foi um dos mais
destacados comandantes brasileiros na Guerra do
Paraguai. Político do Partido Liberal, foi
ministro da Guerra nos últimos anos de sua vida.
Um decreto de 1962 consagrou-o como patrono da
Arma de Cavalaria do Exército brasileiro.Filho do
militar
Manuel Luis da Silva Borges e de Ana
Joaquina Luísa Osorio, nasceu no dia 10 de maio,
na Faz. Nossa Senhora da Conceição do Arroio
(atual Parque Histórico Marechal Osorio), na província
de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foi criado na
fazenda de gado do avô materno, Tenente Thomaz
José Luis Osorio. Em 1823, com 15 anos
incompletos, assentou praça na Cavalaria da Legião
de São Paulo e acompanhou o Regimento de seu pai
na luta contra as tropas portuguesas do Brigadeiro
Dom Álvaro da Costa, estacionadas na Cisplatina,
que não aceitaram a independência do Brasil.
Teve seu batismo de fogo à margem do arroio
Miguelete, nas proximidades de Montevidéu, num
combate contra a cavalaria portuguesa. No ano
seguinte, foi feito primeiro cadete e, logo
depois, alferes do 3° Regimento de Cavalaria de
primeira linha. Daí em diante, o destino de
Osorio esteve ligado a todas as lutas que o Império
brasileiro travou no Sul, tanto contra os
Revoltosos - os farroupilhas - como contra os
vizinhos argentinos, uruguaios e paraguaios. |
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Em
1824, Osorio matriculou-se na Escola Militar, mas
sua matrícula foi cancelada diante da iminência
de nova guerra no Sul. Em 1825, o jovem oficial
voltava ao Uruguai, na Guerra da Cisplatina,
contra os uruguaios que, ajudados pelos
argentinos, tentavam libertar-se do domínio do
Império brasileiro. Na batalha de Sarandi (12 de
outubro de 1825), Osorio foi o único oficial de
seu esquadrão que sobreviveu a derrota das forças
brasileiras. Em 20 de fevereiro de 1827, na
batalha de Ituzaingó ou Passo do Rosário, seus
lanceiros foram o único corpo de tropa brasileiro
que não foi desbaratado durante a batalha. Em
outubro, foi promovido a tenente e participou das
conversações de paz. Seu regimento foi sediado
em Rio Pardo (RS), onde passou a residir,
dedicando-se à política no Partido Liberal.
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Em
1835, Osorio servia no 2.° Corpo de Cavalaria, em
Bagé. Nessa cidade, casou-se com Francisca, filha
do juiz de paz Zeferino Fagundes de Oliveira, em
15 de outubro de 1835. No mesmo ano estourava a
Guerra dos Farrapos. Ligado aos liberais, Osorio
de início ficou do lado dos rebeldes, que lutavam
por maior autonomia para sua província. Mas sua
posição foi se modificando e Osorio acabou
passando para o lado das forças do governo
central. Participou de combates contra os rebeldes
em Porto Alegre, Bagé e Caçapava,
distinguindo-se no combate de Herval (3 de maio de
1838). Nessa época, pediu reforma, mas o Exército
não quis dispensar seus serviços, promovendo-o a
tenente-coronel. Sua atuação foi decisiva para
as conversações que encerraram o conflito.
Ligado à política local, pôde entrar em contato
com o ministro da Guerra dos rebeldes, iniciando
as negociações diretas para a pacificação da
província.
Em
1851, o Regimento de Osorio participou da intervenção
militar do Império brasileiro contra os
presidentes argentino e uruguaio Rosas e Oribe.
Lutando sob as ordens de Caxias e do caudilho
argentino Justo Urquiza, Osorio destacou-se na
batalha de Monte Caseros (3 de fevereiro de 1852),
em que Rosas foi definitivamente derrotado. Em março,
era promovido a coronel. Passou alguns anos
servindo em várias localidades do Rio Grande do
Sul. Em 2 de dezembro de 1856, foi graduado
brigadeiro. Nomeado inspetor de Cavalaria no Norte
do país, ali permaneceu pouco tempo, logo
regressando ao Rio Grande do Sul.
No
final de 1864, Osorio foi indicado para comandar
uma das duas divisões brasileiras que invadiram o
Uruguai para depor o presidente Aguirre. Essa
intervenção foi o prelúdio da Guerra do
Paraguai.
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Em
1º de março de 1865, Osorio foi nomeado
comandante-em-chefe das forças de terra
brasileiras na Guerra do Paraguai.
Dedicou-se, de início aos trabalhos de
recrutamento e treinamento de homens e
organização do material logístico para
a campanha. Em 16 de abril de 1866,
comandou as tropas brasileiras que
invadiram o Paraguai; foi o primeiro a pôr
os pés no território paraguaio no
desembarque do Passo da Pátria. No dia 1º
do mês seguinte, recebeu do imperador o título
de Barão do Herval.
Osorio
foi o mais destacado comandante da
primeira fase da guerra. Estabeleceu e
consolidou, no Passo da Pátria, a cabeça-de-ponte
para o ingresso dos exércitos aliados em
terras paraguaias, na confluência dos
rios Paraná e Paraguai. Sua atuação
pessoal em Tuiuti foi decisiva para a
derrota dos paraguaios. Ferido por uma
bala, retirou-se temporariamente para o
Rio Grande do Sul, onde, ocupando o posto
de comandante de armas da província,
treinou novos contingentes para a guerra.
Sem estar completamente restabelecido,
voltou ao Paraguai em marco de 1867 e
assumiu o comando do 3° Corpo do Exército,
sob o comando geral de Caxias. Participou
da marcha de Tuiuti na direção de
Tuiu-Cuê. Nessa fase foi promovido a
tenente-general (1° de julho de 1867) e
elevado a Visconde do Herval (3 de março
de 1868). Em agosto de 1868, comandou as
forcas de terra que conquistaram Humaitá,
a principal fortaleza paraguaia. Na
batalha de Avaí (11 de dezembro) foi
atingido por uma bala no maxilar. Passou o
comando do corpo de tropa que dirigia, mas
ficou no campo de batalha, pois sua
simples presença infundia ânimo aos
soldados. Osorio reunia a bravura, que o
fazia lançar-se na luta na frente de
todos, à simplicidade no trato com os
soldados. Por isso era um dos oficiais que
tinham mais prestígio junto a tropa.
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O
ferimento obrigou-o a um novo período de
repouso no Brasil, onde permaneceu entre
fevereiro e julho de 1869. Em 6 de julho,
já sob o comando geral do Conde d’Eu,
assumiu no Paraguai a direção do I
Exército. Sem estar completamente
restabelecido, participou da batalha de
Peribeluí (12 de agosto), onde escapou
por pouco ao fogo inimigo. Em 23 de
novembro, seu estado de saúde obrigou-o a
deixar definitivamente o Paraguai. Após o
fim da guerra, em 29 de dezembro, foi
elevado a Marquês do Herval.Osorio ficou
vivendo no Rio Grande do Sul, onde era
muito popular, sendo um dos chefes
principais do Partido Liberal. Fez viagens
ao Rio de Janeiro e ao Nordeste (Salvador
e Recife), onde foi muito festejado. Foi
escolhido senador em janeiro de 1877.
Quando os liberais subiram ao poder, em
janeiro do ano seguinte, com o gabinete
presidido pelo Visconde de Sinimbu, Osorio
ocupou o cargo de Ministro da Guerra.
Permaneceu no cargo até o último dia de
sua vida. Quando morreu, aos 71 anos, de
pneumonia, era marechal-do-exército.
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