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Batalha
de Monte Caseros |
Há 152 anos, em 03 de fevereiro de 1852, foi travada a decisiva Batalha de Monte Caseros, próximo à localidade de Morón, situada 30 Km a sudoeste de Buenos Aires, a qual pôs fim às intenções do ditador Argentino JUAN MANUEL DE ORTIZ ROSAS, que ameaçava incorporar à Argentina o Uruguai e o Rio Grande do Sul, reconstituindo assim o antigo Vice-Reinado do Rio da Prata. . Enfrentaram-se as tropas do ditador argentino e as tropas Aliadas (Argentina, Brasil e Uruguai) do oposicionista, também argentino, Gen JUSTO JOSÉ URQUIZA e vencida por este.
Rosas contava com 24 mil homens e os Aliados com 26 mil, sendo 20 mil argentinos, 4200 brasileiros e 1800 uruguaios. O efetivo brasileiro era 1/6 do total, mas foi o mais importante para a vitória, com a Divisão Brasileira, comandada pelo Brigadeiro MANUEL MARQUES DE SOUZA III e formada por duas Brigadas de Infantaria, o 2º Regimento de Cavalaria (ATUAL REGIMENTO OSORIO), comandado pelo Tenente-Coronel MANUEL LUIZ OSÓRIO, hoje Patrono da arma, e o 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, o famoso "Boi de Botas", com 200 homens.
Os Aliados formavam assim o chamado Grande Exército Libertador da América do Sul, para livrar a Argentina da opressão e megalomania do ditador Rosas, no poder desde 1829, e que havia tentado, sem sucesso, interferir na Guerra dos Farrapos.
A marcha para a concentração Aliada, antes da batalha, foi caracterizada pela difícil transposição do Rio Paraná, que durou cerca de 15 dias.
Rosas montou seu dispositivo com a tropa formando uma cunha com o Arroio Morón, a artilharia protegida por parapeitos, atiradores de escol nas sotéias (terraços) das casas da povoação e ainda duas Divisões de Cavalaria na Reserva. O ponto mais forte era o centro. A sua Artilharia era bem superior à aliada
Urquiza colocou os Aliados em linha oblíqua, com os uruguaios à direita, a Divisão Brasileira no centro e os argentinos à esquerda, reforçados estes com o 2º RC do Tenente-Coronel Osório.
A batalha começou às 0600 horas da manhã com troca de tiros de armas leves. O 2º
RC, do Tenente Coronel Osório, foi lançado pela esquerda para chamar a atenção do inimigo, em uma ação desbordante, enquanto a direita transpunha o Arroio Morón. Rosas resistiu a este primeiro golpe. Em seguida, os Aliados fizeram o centro e a direita girarem sobre o próprio flanco direito e a Divisão Brasileira atacou o centro de Rosas enquanto a direita aliada atacava a esquerda inimiga. Nesta hora houve um retardamento do avanço da Infantaria Uruguaia e o Brigadeiro Marques de Souza manda a 1ª Bda Inf reforçar, mas esta acaba ultrapassando os orientais e conquistando a posição inimiga. Enquanto isso a 2ª Bda Inf atacava pela frente e colocava os argentinos em fuga. O centro foi rompido às 1100 horas. O 1ºRegimento de Artilharia à Cavalo bateu a Artilharia de Rosas e sob a sua proteção os caçadores brasileiros expulsaram à baioneta os argentinos e tomaram as sotéias. O Osório ainda fez uma carga com seu Regimento, venceu os argentinos e arrebatou uma bandeira de Rosas. E, depois de mais alguns entreveros, às 1300 horas "não havia mais inimigo a combater". Toda a artilharia, munições, equipamentos, fardamentos, armamentos, carros, carretas e cavalos, caíram em poder dos Aliados. Foram feitos 7 mil prisioneiros.
Os Aliados perderam 250 argentinos, 18 brasileiros (dois oficiais e mais 16 entre sargentos e soldados) e 19 uruguaios. Rosas fugiu para não ser encurralado. No caminho para o Porto de Buenos Aires renunciou em um papel escrito a lápis. Embarcou em um navio inglês e refugiou-se em Londres.
A Divisão Brasileira desfilou nas ruas da capital, ovacionada pelo povo portenho e logo depois embarcou nos navios da nossa Esquadra, retornando à Pátria com a missão cumprida.
Assim, a Batalha de Monte Caseros constituí-se em mais um capítulo de glória da história de nosso Exército, no qual ficou registrada a ação de seus grandes comandantes de maneira decisiva e eficiente. O General Osório, à frente dos lanceiros do 2 RC, fez prevalecer o imortal espírito da Cavalaria, o qual se mantém presente até hoje junto aos lanceiros do 3º Regimento de Cavalaria de Guardas.