Carta
do Brasão do Marquês de Erval (Transcrição)
DOM
PEDRO
por
Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador
Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Faço
saber aos que esta Minha Carta de Brasão de Armas de
Nobreza e Fidalguia virem, que Atendendo ao que lhe
representou Manuel Luís Osorio, Marquês do Erval por
Decreto de vinte e nove de Dezembro de mil oitocentos e
sessenta e nove, Tenente General, ex-Comandante do
primeiro Corpo do Exército em operações na campanha
do Paraguai, Grã-Cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro, e
da de Cristo, Comendador das Ordens de S. Bento de Avis
e da Rosa, Condecorado com as Medalhas de ouro da
Batalha de Monte Caseros, de Paissandu e a de Mérito,
que desejando guardar a memória de seus honrosos Títulos,
vinha pedir Me que lhe Concedesse o uso de um Brasão do
Armas, cujo modelo Me apresentou, iluminado com cores e
metais, e, Anuindo
Eu a sua petição, Hei por bem Outorgar-lhe o uso das
mencionadas Armas e Mando ao Meu Principal Rei de Armas,
segundo o sobredito modelo, ficando lançados no Livro
de Registro delas, para serem transmitidas aos seus
vindouros, quando o requererem e lhes for por Min
novamente concedidas e são, a saber: Em campo de Goles
um Leopardo de prata, arremessando-se, tendo na garra
dextra uma espada de ouro. Chefe de azul com três
estrelas de ouro. Coroa
de Marquês; Paquife das cores e metais do escudo. O
qual Escudo e Armas poderá trazer tão somente o dito
Marquês do Erval, e delas poderá usar, gozar em tudo e
por tudo, quer em tempo de paz, quer em tempo de guerra,
e bem assim as poderá trazer em seus firmais, anéis,
sinetes e divisas; pó-las em suas casas, capelas e mais
edifícios, e, finalmente deixa-las sobre sua própria
sepultura; pelo que Quero e Sou Servido que haja ele e
seus descendentes, todas as honras, privilégios, isenções,
liberdades, graças, mercês e franquezas, que devem ter
os Fidalgos e Nobres; Nunca podendo os seus sucessores
usar deste Brasão, sem que a cada um deles seja
novamente por Mim Confirmado. Mando, aos Meus Ministros,
Desembargadores, Auditores, Promotores, juízes de
Direito do Civil e Crime, e a todas as mais Autoridades
Judiciárias do Império e com especialidade aos Meus
Reis d’Armas Arautos e Passavantes e a quaisquer
outros Oficiais e mais Pessoas, a quem esta Minha Carta
for mostrada e o conhecimento dela pertencer, que em
tudo lha cumpram e guardem e a façam inteiramente
cumprir e guardar, como nela se
contém, sem dúvida ou embargo que nela se
queira por, visto ser assim Minha Mercê.
O Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do
Brasil, o Mandou por aviso do Ministério do Império
datado de onze do corrente mês, a Manuel dos Santos
Carramena, Seu Principal Rei d’Armas. Luís Aleixo
Boulanger, Escrivão dos Brasões e Armas da nobreza e
Fidalguia deste Império, a fez escrever nesta muito
Leal e Heróica Corte e Cidade de São Sebastião do Rio
de Janeiro aos onze dias do mês de Outubro do Ano do
Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil
oitocentos e setenta e eu Luis Aleixo Boulanger a fiz
escrever e subscrevi.
Manuel
dos Santos Carramena
Principal
Rei d’Armas.
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Brasão
de Armas |
Descrição
heráldica: Em campo de Goles (esmalte vermelho), um
Leopardo de prata arremessando-se (na Heráldica é
representado conforme a figura acima, ou seja, como leão),
tendo na garra destra uma espada de ouro. Chefe de azul
com três estrelas de ouro.
Coroa de Marquês; Paquife das cores e metais do
escudo.
Data
de concessão: 11 de outubro 1870.
Desenho
original: Luís Aleixo Boulanger, Escrivão dos Brasões
e Armas da Nobreza e Fidalguia do Império.
Comentário
Heráldico: adaptação
de texto de Renato Moreira Gomes – ArteStúdio &
Heráldica – Rio de Janeiro
Infelizmente não se conhece o significado exato
e a origem da concepção do brasão d’armas de
Osorio. Sabe-se, no entanto, que o brasão representa
sua vida militar e a destacada coragem guerreira de
Osorio, bem caracterizadas pelo campo vermelho e pelo
leopardo batalhante.
Não é claro o por quê do Leopardo (na Heráldica,
leão leopardado), figura essa típica da Heráldica
inglesa, mas pouco comum na ibérica. As armas da
linhagem OSORIO da Espanha e de Portugal são as mesmas:
“de ouro, dois
lobos passantes, sotopostos de vermelho”. Ao que
tudo indica, buscou-se com o Leopardo de Prata
representar a alma guerreira de Osorio.
Na Heráldica, o CHEFE é peça honrosa de
segunda ordem e sua posição, na parte superior do
escudo, indica uma situação especial:
- uma concessão real;
- um fato muito importante;
- uma filosofia de vida.
Assim, o significado heráldico CHEFE do Escudo
d’armas do Marquês do Herval pode ser:
- a indicação dos três títulos nobiliárquicos
recebidos;
- três das maiores batalhas ou campanhas em que
Osorio tomou parte;
- três diretrizes básicas que orientaram sua
vida militar e política.
Na primeira hipótese as cores estão correras: o
azul representa a nobreza e o
ouro, a dignidade.
Para a segunda hipótese, as cores mais corretas
para o CHEFE seriam o fundo vermelho (campos de guerra)
ou verde (coxilhas do Sul) com estrelas de prata
(combates com armas brancas, lanças e sabres).
A terceira hipótese é a que parece representar
a interpretação mais precisa. Contém uma conotação
maçônica: o azul
representa a cor das Lojas Simbólicas e as três
estrelas em ouro, os três graus iniciáticos. Em
1972, Osorio estava representado sob número 169 como
membro ativo da Loja União e Humanidade, de Pelotas, tendo-se iniciado em 1840, na Loja
União Constante, de Rio Grande.