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ENFISEMA SUB-CUTÂNEO EM
EQÜINO RESULTANTE
DE FERIDA
AXILAR
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INTRODUÇÃO
Enfisema
sub-cutâneo é
o acúmulo
de gás
no tecido
subcutâneo e
pode ocorrer por
diferentes causas.
O enfisema
subcutâneo em
eqüinos pode
ser resultante
de perfuração
traqueal e particularmente
por feridas
na pele da
axila. As feridas na
região da axila estão associadas a formação de
enfisema sub-cutâneo (STEVENSON, 1995). O autor afirmou
que o eqüino ao se movimentar
promove a sucção
de ar para o tecido
subcutâneo. O enfisema também
pode ser
conseqüência
de infecções
causadas por
bactérias formadoras
de gás.
Portanto é importante o
diagnóstico diferencial
das causas do enfisema subcutâneo.
Hanse e Robertson (1992) também citaram como causas os
traumas com
perfuração da traquéia ou pulmão; o enfisema pulmonar e as
infecções causadas
por bactérias formadoras de gás .
Os sinais clínicos são evidentes, um aumento de
volume da região do braço com crepitação à palpação.
Porém pode se estender nas direções do pescoço e mandíbula
e também caudalmente para o arco costal, abdômen e
perna. Em casos extremos poderá atingir o corpo todo
(DEWELL, 1980). Em geral associados a uma ferida
perfurocortante na região do esterno ou axila.
A desfiguração
cosmética temporária é a principal característica
da doença, mas outras
complicações mais sérias podem ocorrer, dependendo da
região afetada. Aumento da pressão intracraniana, obstrução
das vias aéreas superiores devido a enfisema
retrofaringeano, cegueira causada por um dano no nervo óptico
como resultado de um enfisema orbital, e efeitos cardiopulmonares pelo
aumento do dióxido
de carbono
no sangue
arterial provocado
pela inibição
dos movimentos
da parede
torácica em casos de severo enfisema subcutâneo. Uma
complicação rara, citada por Hanse e Robertson (1992)
foi o pneumomedistino e pneumotórax resultantes de um
enfisema subcutâneo causado por uma ferida na axila. Os
autores acreditaram que a tensão
do enfisema subcutâneo
fez o ar migrar
para dentro
do espaço
mediastino se
estendendo para
dentro do
tórax.
O tratamento envolve a administração de antibióticos
sistêmicos, o manejo da ferida, profilaxia antitetânica
e a contenção para evitar a movimentação. Dewel (1980)
sugeriu a sutura temporária
da ferida e o repouso para
evitar o
bombeamento de
ar para
o tecido subcutâneo.
Ë fundamental descartar a possibilidade de perfurações
nos pulmões ou traquéia.
O prognóstico da doença é bom. Dewell (1980)
nunca observou
um caso
fatal. Marble
et al. (1996)
e Lindley (1979) observaram a resolução em períodos de
oito a dez dias.
RELATO DE CASO
Um eqüino, fêmea,
de seis anos de idade, foi atendida na Seção Veterinária
do 30 Regimento de Cavalaria de Guarda
com uma claudicação grau III do MAD, ao exame
verificou-se uma ferida perfuro-cortante na região da
axila direita com presença de secreção mucopurulenta
(fig. 01). A temperatura corporal e apetite estavam
normais. Evidenciou-se uma ampla área de aumento de
volume da
região do braço, porção ventral do pescoço e mandíbula
e do arco costal (fig. 02 e 03). Na palpação devido a
evidente crepitação diagnosticou-se um extenso enfisema
subcutâneo.
O tratamento consistiu da administração de antibióticos
sistêmicos, antiinflamatório e soro antitetânico, e
principalmente os cuidados com a ferida. Após a limpeza e
debridamento da ferida foi realizada uma sutura de contenção
com auxílio de suportes plásticos (fig. 04). O paciente
foi mantido preso ao cabresto durante sete
dias para evitar a movimentação do membro. A
sutura de contenção permaneceu por dois dias e a ferida
foi tratada por 2a intenção e cicatrizou em aproximadamente 45 dias (fig. 05).
O enfisema subcutâneo regrediu espontaneamente em 10
dias.
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| Figura
1. |
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| Figura
2. |
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| Figura
3. |
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| Figura
4. |

Figura 5.
DISCUSSÃO
As causas mais comuns de
enfisema subcutâneo são as perfurações da traquéia e
feridas na região da axila. No caso relatado ficou
evidente a relação entre a região da ferida e a formação
do enfisema. Conforme afirmou Dewell (1980), a ferida
permite a entrada de ar para o espaço subcutâneo e o
movimento do membro provoca a sucção do ar para o espaço
subcutâneo. Devido a esta mecânica a restrição de
movimentos parece ter sido fundamental na resolução do
fenômeno.
Porém a infecção por bactérias formadoras de gás
foi considerada e descartada pelo leucograma e ausência
de sintomas sistêmicos.
A sutura temporária da ferida auxiliou a evitar a
entrada de ar, conforme relatou Dewell (1980). Os sinais
clínicos são evidentes com um aumento de volume e a
presença de crepitação à palpação.
A
alteração é principalmente cosmética, mas convém
ressaltar as possibilidades de complicações,
principalmente a obstrução das vias aéreas. O prognóstico
é favorável, desde que tomadas as medidas de suporte, e
a resolução deve ocorrer em 7 a dez dias. O que ocorreu
no caso relatado.
CONCLUSÃO
O
enfisema subcutâneo em eqüinos pode ocorrer devido a uma
ferida perfuro-cortante na região da axila. Apesar de
apresentar um prognóstico favorável o fenômeno pode se
estender para o corpo todo e levar a complicações
graves. Concluiu-se que o tratamento exige além do
tratamento da ferida, a
limitação dos movimentos do paciente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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S. R.; ROBERTSON, J. T. Subcutaneous emphysema from an
axillary wound that resulted in pneumothorax in a horse. JAVMA,
v. 200, n. 8, p. 1107-09, 1992.
DEWELL,
C. G. Wounds and tissue emphysema. Mod.
Vet. Pract., v. 61, n. 4, p. 280, 1980.
MARBLE,
S. L. et al. Subcutaneous emphysema in a neonatal foal. JAVMA, v. 208, n. 1, p. 97-9, 1996.
STEVENSON,
J. Sucking wounds of the limbs. Injury, v. 26, n. 3, p.
151-53, 1995.
LINDLEY,
W. H. Axillary wounds and tissue emphysema. Mod.
Vet. Pract., v. 60, n. 1, p. 47, 1979.
KLEIN,
M. et al. Enfisema subcutâneo
en mano y antebrazo por aire comprimido. Medicina,
v. 63, p. 721-23, 2003.
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