Odontologia em Eqüinos - Tratamento Cirúrgico de Fratura de um Canino Inferior
 

INTRODUÇÃO

            As alterações dentárias são freqüentes em eqüinos, ocorrem em aproximadamente 80% dos animais (Allen, 2003). Em um exame clínico de rotina muitas destas alterações podem passar despercebidas. Os cuidados odontológicos em eqüinos proporcionam maior conforto oral, assim os cavalos realizam uma mastigação mais eficiente e aceitam melhor a embocadura.

            As principais doenças dentais que exigem a extração como forma de tratamento são: a necrose infundibular (cárie) e as lesões periapicais. Em alguns casos a terapia endodôntica é possível, mas usualmente a extração do dente afetado é o tratamento de escolha.

            A extração dentária em eqüinos tem sido realizada há séculos, mas somente nos últimos anos a odontologia eqüina tem se desenvolvido, deixando de lado o empirismo. Este procedimento, se não for realizado adequadamente, pode resultar em complicações como: infecção alveolar, presença de fragmentos ósseos no alvéolo e seqüestro ósseo.  

 

RELATO DE CASO

            Um eqüino, SRD, com 15 anos de idade, foi atendido na Seção Veterinária Regimental após ter sofrido  uma queda durante transporte. Ao exame foi constatado um fratura do dente incisivo inferior esquerdo. A linha de fratura foi na região da coroa, restando somente a raiz inclusa (foto 1).

 
Foto 1. Canino inferior esquerdo fraturado
 

           O tratamento cirúrgico foi indicado para remoção da raiz com o objetivo de evitar as complicações comuns nestes casos, principalmente a infecção alveolar. O cavalo foi operado no bloco cirúrgico da Faculdade de Veterinária da UFRGS, contando com o apoio de um cirurgião dentista e de uma veterinária atuante na área de odontologia eqüina. 

            O eqüino foi submetido à anestesia geral injetável (foto 3). Foram administrados como medicação pré-anestésica, acepromazina na dose de 0,1 mg/Kg, e romifidina na dose de 0,08 mg/Kg ambas via intravenosa. Na indução foi utilizada tiletamina (1 mg/Kg) e a manutenção foi realizada com uma combinação de guaifenesina 5% com cetamina. Através de uma incisão na mucosa oral realizou-se um flap para exposição do osso mandibular (foto 4). Com o auxílio de um elevador tipo Seldin reto foi solto o ligamento alveolar.

 

 
Foto 3. Anestesia geral. Foto 4. Flap da mucosa oral.
 

            Após afrouxar a raiz a extração foi realizada com um forceps (foto 5). Como demonstra a foto a raiz foi removida integra. A cavidade alveolar é curetada e inspecionada para verificar a presença de possíveis fragmentos (foto 6).

 

Foto 5. Extração. Foto 6. Cavidade alveolar.
 

            A mucosa oral é suturada com um fio inabsorvível (nylon 2-0) em padrão simples interrompido (foto 7). A foto 8 demonstra a raiz do canino que foi extraída, com aproximadamente 4 cm.

 
Foto 7. Mucosa suturada. Foto 8. Raiz extraída.
 

CONCLUSÃO

            A realização do procedimento em um bloco cirúrgico sob anestesia geral foi fundamental, pois proporcionou maior segurança para o  paciente e melhores condições de trabalho para a equipe.  O conhecimento da  anatomia da espécie e da técnica, além de possuir o instrumental  adequado é vital para o sucesso da cirurgia.    

 

AGRADECIMENTOS

          1º Tenente dentista Bonone 

            Médica veterinária Lizzie Dietrich

            Médica veterinária Bianca Petrucci

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

            Anais do VI congresso Brasileiro de cirurgia e Anestesiologia Veterinária. Indaiatuba – SP. Mini-Curso de Odontologia Eqüina. 2003.

            ALLEN, T. et al. Manual of Equine Dentistry. St Louis: Mosby, p. 109-156, 2003.

            GONZALES, R R. Odontologia em eqüinos. Trabalho de conclusão de curso. ULBRA. 2004.