O USO DA ESTRUMEIRA NA CRIAÇÃO DE EQÜINOS E O CONTROLE DE VETORES
 

INTRODUÇÃO

         
Em uma criação de eqüinos há a produção de grande quantidade de dejetos. Um cavalo defeca de 5 a 12 vezes por dia e pode produzir até 17 quilos de fezes.

         Em locais como hípicas, hipódromos e regimentos de cavalaria os cavalos são mantidos estabulados e geralmente em áreas urbanas. O tratamento e destino adequado destes dejetos são essenciais por questões sanitárias e ecológicas.

         As fezes são veículos de vários agentes infecciosos, como vírus, bactérias, fungos e parasitas. O Clostridium tetani, agente causador do tétano, é um exemplo de uma doença transmitida pelas fezes dos eqüinos. Também existem outras doenças que podem ser transmitidas ao homem.

         As fezes também são usadas pelas moscas, como a Musca doméstica e a Stomoxys calcitrans (mosca dos estábulos), para a postura de seus ovos onde as larvas crescerão.

         O processamento de esterco pode ser usado como um método biológico de controle de várias doenças, das moscas e ainda para a produção de adubo orgânico. A estrumeira é um local onde se armazena o estrume durante um período determinado, proporcionando condições para as bactérias realizarem a decomposição da matéria orgânica através do processo de fermentação. Neste processo há produção de calor, alcalinização do pH e produção de gases, tornando o meio inóspito para agentes infecciosos e parasitários.

         O 3° Regimento de Cavalaria de Guarda possui um efetivo eqüino de aproximadamente 200 cavalos estabulados em uma área urbana. Há algumas décadas que esta organização  vem se utilizando de estrumeiras como meio de processar os dejetos, como estrume e restos de maravalha usado nas baias. Com isto tem conseguido realizar o controle de moscas e tratar adequadamente o esterco para posterior uso como adubo orgânico.



MATERIAL E MÉTODOS

          São utilizados 04 módulos de estrumeiras (figura 1). Uma instalação de alvenaria, com dimensões de 4 x 3,5 x 2,5 m, correspondente a 35 m2  por unidade (figura 2).

 

Figura 1.
 

Figura 2.

         O esterco coletado nas baias (figura 3) e nas áreas de circulação dos eqüinos é depositado pela abertura superior do módulo (figura 4).  A retirada do material se dá pela abertura frontal. É realizado o enchimento completo de um módulo por vez, quando o quarto módulo está  sendo usado, o primeiro é esvaziado, de forma que sempre haja um vazio. Este processo permite um tempo de armazenamento e fermentação das fezes por um período de 30 a 45 dias,  visto que o enchimento de cada módulo se dá em 10 a 15 dias. O controle da temperatura e da umidade é realizado semanalmente, para garantir condições ideais para o processo de fermentação.

Figura 3. Figura 4.


DISCUSSÃO
         O controle biológico de moscas parece  ser a maior vantagem do manejo adequado dos dejetos. Os dípteros são conhecidos transmissores de doenças. As moscas hematófagas, como a Stomoxys calcitrans, famosa sugadora de sangue dos cavalos e eventualmente do homem, pode transmitir doenças como a anemia infecciosa eqüina, o “mal das cadeiras” e a habronemose, entre outras. Nos casos de infestação intensa, causam estresse dos animais podendo provocar perda de peso e má performance. Os aspectos relacionados à saúde pública também são considerados, pois as moscas carregam uma infinidade de bactérias e ao pousar sobre os alimentos atuam como vetores de doenças para o homem.

         O processo é baseado na fermentação. O material orgânico ao ser  decomposto pelas bactérias produz calor,  gás e alterações no pH.  Estas condições mantidas por um período prolongado não proporcionam condições de vida para  muitos patógenos, larvas de moscas e parasitas. A temperatura no interior da estrumeira pode chegar até 85 0C. Em nossos módulos observamos temperaturas de até 65 0C, isto pode ser devido a diferente flora bacteriana encontrada nas fezes dos eqüinos quando comparada com a de ruminantes ou a mistura com maravalha pode influir no processo fermentativo. A manutenção das condições de umidade é fundamental, assim como a coleta sistemática das fezes (figura 03). Os ovos são depositados nas fezes úmidas e eclodem em alguns dias, por isto é necessário que estas fezes já estejam dentro da estrumeira. O estrume que fica no chão é o meio de cultura das larvas de moscas. O esterco na estrumeira também funciona como uma isca de postura para moscas em um raio de até 5 Km. A figura 04 e 05 mostram o tonel com uma enorme quantidade de larvas de moscas mortasl. São larvas que sobreviveram as altas temperaturas e que migraram tentando sair da estrumeira pois necessitam pupar no solo. Graças a este manejo, não se usa inseticidas. O gasto com inseticidas é significativo, principalmente em grandes áreas. E por não possuir efeito residual é uma medida paliativa. Além disto, quando manejados inadequadamente produzem intoxicações e resistência. Obviamente que há períodos em que o número de moscas aumenta, porém ao avaliarmos o número total de animais, ainda consideramos o método efetivo.

         O adequado destino dos dejetos evita a poluição de fontes de água e proporciona a produção de um adubo orgânico com maiores níveis de nitrogênio.

 

Figura 4. Figura 5.

 

CONCLUSÃO

         Diante do relato exposto podemos concluir que o processamento de esterco dos eqüinos criados sob estabulamento e em área urbana é essencial. Diante das preocupações com um desenvolvimento sustentável, a conservação do meio ambiente, a poluição das águas e a reciclagem do lixo. É uma satisfação para nossa Unidade sabermos que estamos atendendo aos anseios da sociedade, realizando um método alternativo e ecológico de controle de moscas e ainda produzindo adubo orgânico.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Artigo “Esterco: problema ou solução” escrito pelo 20 Ten OVT João Ignácio do Canto.